sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vai-te 2010, venha 2012...

2010, é um ano que não deixará grandes saudades. Internacionalmente, começou com um forte abanão e consequente tragédia humanitária no Haiti e acaba com a promessa de termos na Costa do Marfim, o próximo Ruanda
Em 2010, Dilma Roussef, torna-se uma das mais poderosas, senão mesmo, a mais influente voz feminina (juntamente com Hillary Clinton), na política mundial. Lula abandona o poder, com a noção de dever cumprido. O "seu" Brasil começou finalmente a ocupar, um lugar de destaque no contexto geopolítico mundial.
Os conservadores voltam ao poder no Reino Unido, mais de uma década depois. David Cameron, derrotou, um Partido Trabalhista, desgastado e em fim de ciclo. 


Julian Assange (na foto), torna público através do "seu" Wikileaks, aquilo de que todos desconfiavam, a podridão da diplomacia norte-americana. Embora algumas revelações, resvalem para o puro "voyeurismo", outras, são fundamentais, para perceber os tiques imperialistas norte-americanos.
Em Abril, para espanto de todos, o dificilmente pronunciável, Eyjafjallajokull, volta a colocar a Islândia nas bocas do Mundo, novamente pelos piores motivos. O espaço aéreo europeu, é fortemente condicionado, pela nuvem de cinzas que entretanto se gera.
O Golfo do México, volta, após o desastre provocado pelo furacão Katrina, a ser alvo de uma catástrofe ambiental. Desta vez, devida à irresponsabilidade humana. Durante 86 dias, uma plataforma petrolífera da BP, verte para o Oceano, toneladas de crude, provocando uma das maiores manchas negras de sempre, de consequências nefastas para a fauna e vida animal local. 
2010, confirmou que os Estados do Sul da Europa, não passam de protectorados dos Estados do Norte da Europa. Portugal, está à mercê de agências que ninguém sabe muito bem, para que servem. As mesmas agências que prevêem a nossa ruína, são as que em 2008, se mostravam espantadas com o colapso do Lehman Brothers. A confusa Grécia, foi o primeiro Estado a necessitar da ajuda internacional. Poucos meses depois a outrora exemplar Irlanda, seguia os passos gregos. Veremos por quanto tempo mais, nos aguentamos. Com os juros, a teimar não baixar da casa dos 6.5%, calculo que lá para meados de Março, a palavra "cortes" volte a ser o tema central dos serviços noticiosos. 
A Espanha domina o Mundial de Futebol, mas, o fim do ano, traz para as capas dos jornais, a "operação galgo", que mais uma vez, revela, que devemos sempre desconfiar do sucesso espanhol no desporto. O uso de doping, parece ser regra na vizinha Espanha. Contador, Marta Dominguez, etc. Será o futebol diferente?
Na Fórmula 1, Sebastien Vettel, vence o mais disputado (mas longe de ser o mais espectacular) Mundial de F1 da história. Jorge Lorenzo e o inevitável Sebastien Loeb, conquistam o ceptro nas suas disciplinas, Moto GP e WRC, respectivamente.


Em Portugal, 2010, inicia-se com a tragédia madeirense. Uma chuvada de proporções épicas, aliada à tradicional falta de ordenamento territorial, causam milhões de prejuízo na ilha da Madeira. Jardim faz umas impensáveis tréguas, com José Sócrates. Quebradas no entanto, com a aprovação do OE, que prevê cortes nas verbas a enviar para a Madeira.
Pedro Passos Coelho (PPC) torna-se líder do PSD. Um resultado que se previa. José Pedro Aguiar-Branco, foi o grande derrotado do acto. PPC cedo, cede a Sócrates. Pede desculpas ao país, por ter anuído ao aumento de impostos previsto no PEC II. Estes primeiros meses de liderança, revelam apenas, que o PSD, tem em PPC, o seu Sócrates, estando agora, somente à espera da dissolução do Parlamento, que ocorrerá lá para Maio, depois de concluído o processo Presidenciais. 
A propósito, este fim de ano, está marcado pela pré-campanha, para umas eleições, cujo vencedor, é já conhecido, Cavaco Silva. O homem que mais tempo esteve no poder desde o 25 de Abril, mas que continua a ser ilibado do actual estado do país, por uma maioria de ignorantes. 
Portugal conhece um novo termo judicial, a "isaltinização da justiça", que permite que os maiores vigaristas deste país continuem a pavonear-se com os fundos ilegalmente obtidos. Casa Pia, Face Oculta, BPN, etc, são exemplos de uma justiça morosa e pouco eficiente. 
O Sport Lisboa e Benfica, vence um campeonato disputado até à última jornada. Um campeonato, manchado por manobras pouco dignas. O Futebol Clube do Porto, vence a Taça de Portugal e humilha o seu rival a 7 de Novembro, num encontro memorável em que Hulk explica o porquê, de eu considerar, manchado, o campeonato passado.
Carlos Queiroz, comprova em 2010, o seu enorme talento como treinador adjunto. A selecção nacional de futebol ganha outra vida com a chegada de Paulo Bento.
Miguel Oliveira (Vice-Campeão Europeu de 125cc), Helder Rodrigues (4º Dakar), António Félix da Costa (melhor rookie de sempre nas Euroseries da F3) e Armindo Araújo (bi-campeão no PWRC) têm um memorável ano de 2010, tornando, inexplicável o porquê, de os serviços noticiosos apenas repararem nos feitos de Mourinho e Cristiano Ronaldo
José Mourinho teve um ano de 2010, fantástico. É já, quanto a mim, o melhor treinador da história do futebol Mundial. Salvo o deslize em Camp Nou, onde foi cilindrado pela melhor equipa da história do futebol, 2010, foi o ano da consagração do Special One.


2011, prevê-se, pior que 2010. A crise económica vai-se acentuar. A injustiça vai permanecer. Portanto venha logo 2012, quanto mais não seja, porque em 2011, não há fases finais de grandes competições, que nos anestesiem durante o mês em que decorrem.

Feliz 2011 a todos. 

ps: a imagem reflecte a minha escolha para personalidade do ano de 2010.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

15 Músicas de 2010...

Mais um "exercício" de pura subjectividade. Escolher apenas quinze, entre centenas de faixas, que mereceram a minha atenção, é um exercício, deveras complexo. A ordem pouco ou nada importa, com, excepção do "top 3", que provavelmente foram as músicas que mais rodaram no meu mp3 ao longo de 2010. 

15 - Conscience Killer - Black Rebel Motorcycle Club.
14 - Runaway - The National.
13 - Blitz - Digitalism.
12 - Giving Up The Gun - Vampire Weekend.
11 - Monster (feat. JAY-Z, Rick Ross, Nicki Minaj & Bon Iver) - Kanye West.
10 - No Jogo da Quimera - peixe:avião.
9 - Never Stop (Erol Alkan Rework) - Chilly Gonzalez.
8 - Walk In The Park - Beach House.
7 - The Drug - Royksopp.
6 - Not In Love (feat Robert Smith) - Crystal Castles.
5 - Fletta (feat Bjork) - Antony and the Johnsons.
4 - A Cura - Orelha Negra.
3 - You Wanted A Hit - LCD Soundsystem.
2 - Flash Delirium - MGMT.

1 - Limit To Your Love - James Blake


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Boas Festas...


O "Rapaz Mal Desenhado", deseja aos leitores e amigos, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo. 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O enfadonho SMN...

No prostíbulo da Europa, decorre uma pré-campanha eleitoral, que tem suscitado na população, menos interesse que um reality show, de uma estação televisiva que prima pela (má) qualidade dos seus conteúdos. Cavaco, não precisa sequer de fazer campanha. Não necessita sequer de forçar um sorriso, que ajude a disfarçar a sua enfadonha expressão. As enfadonhas campanhas dos seus adversários, estão a encarregar-se do resto. Nobre já perdeu o embalo. Alegre nunca o teve. Sobre os restantes nem uma palavra.

O mandato de Cavaco Silva, pode ser resumido às suas escolhas, para conselheiros de Estado. A Dias Loureiro sucedeu Vítor Bento. Vítor Bento pode não parecer tão "pornográfico", quanto Dias Loureiro, mas, só na aparência. No conteúdo é igual. Vítor Bento defendia já em 2008 cortes no salário mínimo. Calculo, que este conselheiro de Estado, veja o aumento do SMN, para os 500€, em Outubro do próximo ano, como uma loucura. Eu concordo com ele. Deve ser de ir à loucura, viver com 500€ por mês. 38% da população activa do Norte do país, vive essa loucura. No entanto destes 38%, muitos são aqueles, que vão optar pela obscenidade de votar no homem, que dispondo de estabilidade politica, conferida pela maioria absoluta e dispondo de condições financeiras, nada fez no sentido de reformar o modelo económico do país, limitando-se a uma politica de privatizações obscena e pornográfica. 

Os 500 €, não acrescentam nada, nem farão o país mais competitivo. Também não irão retirar do limiar da pobreza os que hoje vivem com o SMN. A oportunidade de ouro de reformular todo o sistema económico do país, que continua a basear-se, em mão de obra pouca qualificada e mal remunerada, foi desbaratada pelos Governos dos últimos 25 anos. Hoje não passamos de um país prestador de serviços, onde pouco se produz, mas muito se gasta. Resta saber, por quanto tempo mais.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Muito Bem Desenhada #2...

Scarlett Johansson.

Os meus 10 álbuns favoritos de 2010...

Pelo título, pode-se desde logo constatar, que a lista que se segue, não segue nenhum critério, para além, do meu gosto musical. É uma lista subjectiva, cuja ordem pouco ou nada importa. 

10 - Vampire Weekend - "Contra"


9 - Sufjan Stevens - "The Age of Adz";


8 - Bonobo - "Black Sands";


7 - Royksopp - "Senior";


6 - Peixe:Avião - "Madrugada";

5 - Kanye West - "My Beautiful Dark Twisted Fantasy";


4 - Belle and Sebastian - "Write About Love";


3 - Beach House - "Teen Dream";


Se eventualmente o ano de 2010 se prolongasse mais uns meses, Teen Dream, encabeçaria esta lista, por ser um álbum, do qual, audição após audição, gosto mais. São álbuns como este, que me fazem acreditar num futuro mais risonho para a música Pop, tão maltratada que tem sido pelas Gagas deste mundo. 

2 -  MGMT - "Congratulations";

Para mim, já o disse em público várias vezes, os MGMT, estão para os dias de hoje e para a minha geração, como os Pink Floyd estavam para a geração do meu pai. Muitos chamam-me "louco" por tal afirmação. O tempo encarregar-se-à de me dar razão. Fixem isto. A mestria, com que foi derrubado o obstáculo, segundo álbum, começa a demonstrar isso mesmo. 

1 - Antony and The Johnsons - "Swanlights";

Antony Hegarty, é o meu intérprete favorito na cena musical. Voz única e inconfundível. Arranjos musicais extraordinários. Letras a roçar a perfeição. É certo que gostos são gostos, não se costumam, nem se devem discutir, mas, neste caso, há que educar. Antony tem uma daquelas vozes que vão perdurar na história musical. Justiça lhe seja feita, a obra de Antony é de uma beleza rara. Passar ao lado da obra musical de Antony é ignorar o que de melhor há no mundo da música. É não gostar de Música!

Facebook...

Mark Zuckerberg, foi eleito pela prestigiada revista Times, como a personalidade do ano. Acho um disparate. Grande parte dos leitores da Times, corroboram da minha opinião, visto Mark Zuckerberg só aparecer no sexto lugar de uma lista encabeçada por Julian Assange, o homem forte do Wikileaks, que na opinião, dos leitores da Times, bem como na minha, é a personalidade de 2010.

Pese não concordar com o "título" de personalidade do ano, o facto é que Mark Zuckerberg é já uma figura incontornável dos nossos dias. Cada vez menos são aqueles, que se mantém à margem da sua criação. A sua galinha de ovos de ouro o Facebook, conta hoje com mais de 500 milhões de utilizadores em todo mundo, o que explica o porquê da rede social, ser hoje, uma das mais valiosas marcas, existentes no Mundo.



Falando da rede em si, grande parte dos utilizadores eventualmente achará que a grande vantagem da rede, está no facto de a mesma ter permitido recuperar contactos de gente que outrora fez parte da nossa vida. Eu não concordo. Se essa gente fosse de facto muito importante nas nossas vidas, nós manteríamos regularmente o contacto com elas, salvo algumas excepções (que efectivamente também existem). Acho sim, que a grande vantagem deste tipo de redes, está na possível criação de interacções com gente que estimule o nosso lado intelectual. O Facebook, permitiu-me e continua diariamente a permitir-me, constatar, que as pessoas que eu achava pouco estimulantes, o são ainda menos. A rede realça o que de pior há na juventude actual: as futilidades, os erros ortográficos, a má educação, falta de carácter, etc. No entanto, justiça seja feita, permitiu-me também constatar que felizmente, ainda há gente estimulante intelectualmente, com quem dá gozo trocar opiniões. Quem eu já achava culto e inteligente, mantém-se culto e inteligente, quem eu achava ignorante, é ainda mais ignorante.


Creio que estas rede sociais, trarão a médio prazo, prejuízos irrecuperáveis para a sociedade, uma vez que aos poucos o conceito de amizade, é destruído por este tipo de rede. Não acho as relações "made in" Facebook saudáveis. Não consigo conceber uma amizade construída, do nada, através de fotos e mensagens. Não consigo perceber relações que não se baseiem na frontalidade e na lealdade, algo que uma rede social não pode nunca proporcionar. O Facebook, tem que ser visto como um "complemento" e não como um "bem essencial". É isso no entanto, o que não acontece no presente momento. É por isso, que a cada dia, o meu desencanto com a rede se torna maior, não porque eu não goste de a utilizar, mas sim, porque me incomoda a forma como os outros a utilizam. A cada dia que passa, cresce em mim a ideia que inteligentes sim, são os que sempre se mantiveram à margem destas redes, como é o caso do meu colega de escrita, Cláudio Silva.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Muito Bem Desenhada #1...


Gisele Bundchen.

Sustentabilidade...

Sustentabilidade, é um assunto muito e cada vez mais em voga. Ouvimos esta palavra vezes sem conta, sempre que se discutem questões ambientais, questões económicas, financeiras, sociais, etc. 
Com o aumento exponencial da população mundial, a procura de alimentos, aumentou igualmente de forma exponencial a fim de satisfazer as necessidades existentes. No entanto, todos os estudos, realizados por entidades que contrariamente a mim, têm credibilidade, apontam para o cenário de, ao actual ritmo de procura, a população humana estar a comprometer seriamente a sustentabilidade do ecossistema terrestre uma vez que a procura ultrapassa largamente a oferta. É portanto impossível viver eternamente, numa situação em que a procura excede largamente a oferta. 


A sustentabilidade do ecossistema terrestre tem pontos de contacto com a sustentabilidade do próprio Estado português. Em Portugal, temos a curiosa, mas indesejável, situação de termos um sector público, mais atractivo do ponto de vista remuneratório, que o sector privado. Ora, é óbvio que isto é uma situação altamente insustentável. Não consigo perceber, o porquê, de insistirmos num modelo que penaliza nas remunerações, o profissional do sector privado, que supostamente estará, através dos seus descontos e do pagamento dos seus impostos, a manter o seu colega do sector público. Já defendi várias vezes, quer neste espaço, quer em outros, que temos funcionários públicos, sobretudo, juízes, professores, enfermeiros, engenheiros, arquitectos, e demais profissionais liberais, a receberem em demasia perante a parca produtividade que demonstram, quando comparados (nos casos em que isso é possível) com os colegas do privado. Por muito que os defensores do serviço público, esperneiem, a verdade, é que saltam à vista, os maus exemplos na função pública. Por muito que esperneiem, a verdade é que é insustentável, o Estado português continuar a ser visto pelos seus, como o grande empregador, a grande almofada, à qual todos querem se encostar. 

Tal como na exploração dos recursos naturais, é preciso também encontrar um meio termo na exploração que hoje é feita ao Estado nacional, já que o risco de insustentabilidade é sério e espreita a cada ataque dos especuladores da Fitch. Acabem pois com parte do monstro. Acabe-se com o fartar a vilanagem existente nas empresas públicas. Encerrem-se as que se revelem inúteis. Os boys que "emigrem". Reduzam o número de institutos e fundações. Reformulem o mapa das autarquias, fundindo algumas câmaras, freguesias, etc. Faça-se qualquer coisa, porque quando se lê que mais de metade da fatia dos impostos pagos pelos portugueses é apenas e só para alimentar este Estado despesista, preguiçoso e incompetente, eu fico extremamente indisposto.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Álbum da Semana #17...

Após duas semanas de interregno, volto com sugestões discográficas, ou melhor, com a sugestão, de um dos meus álbuns favoritos de 2010. "My Beautiful Dark Twisted Fantasy", marca o regresso de Kanye West, um dos mais bem sucedidos músicos norte-americanos da última década, aos trabalhos de originais. 
Como referi muitas vezes, o Hip-Hop, sobretudo aquele que se faz do outro lado do Atlântico, não é um estilo que me cative. Acho que toda a cultura que rodeia o movimento, sobretudo o mainstream, pode ser caracterizada por uma única palavra, hipocrisia. Vá por duas: hipocrisia e luxúria. Nunca tinha prestado a devida atenção à obra do Kanye West, porque sempre o coloquei no mesmo patamar, do 50Cent, Snoop Dog, Timbaland, etc. Kanye West, prova com este novo álbum, que os seus horizontes não se esgotam na medíocre cultura encarnada pelos músicos atrás referidos. Ele tem aliás motivos, para se sentir insultado, quando alguém ousar colocar na mesma frase 50Cent e Kanye West.


Entrando no campo das comparações (ridículas), não acho que "My Beautiful Dark Twisted Fantasy" possa ser equiparado em termos qualitativos a outros grandes álbuns lançados no presente ano, como o "High Violet" (The National) ou o "Congratulations" dos MGMT (o meu álbum favorito deste ano), mas, é sem sombra de dúvidas o álbum que mais me surpreendeu em 2010, porque jamais esperaria do Kanye West um álbum tão bom quanto este. 
As parcerias no álbum são, algumas delas supreendentes. Se me dissessem há duas semanas atrás que eu iria adorar a participação do Bon Iver, num álbum do Kanye West, eu diria que essa pessoa estava a mentir. Mas de facto, não é de todo mentira, porque a faixa "Monster", prova que mesmo as parcerias mais improváveis podem por vezes ser as parcerias mais "felizes". John Legend, The RZA, Jay-Z, Kid Cudi, etc, são outros nomes que podemos encontrar ao longo das adoráveis treze faixas que compõem o álbum. 

Porque o objectivo desta rubrica é o de somente sugerir e não o de criticar álbuns, eu fico-me por aqui nas apreciações, deixando as criticas mais exaustivas, para "experts" na matéria. Apenas volto a frisar, que este é um dos álbuns mais inesperados do ano, para aqueles que, como eu, há muito haviam (injustamente) colocado o Kanye West no mesmo patamar do Snoop Dog, 50 Cent e dessa anormalidade de nome Eminem. Audição obrigatória para quem gosta de MÚSICA.

Classificação: 8.5/10.

sábado, 4 de dezembro de 2010

No meu Mp3 #33...

"Kill the Banks"...

Eric Cantona, foi um futebolista que alcançou bastante notoriedade, não por ser um fora de série, mas, pela polémica que causava, dentro e fora dos relvados. Para a história não ficaram grandes assistências, grandes dribles ou grandes golos, ficou sim, um célebre pontapé dado por este arruaceiro, num adepto do Crystal Palace (salvo erro). No entanto e inexplicavelmente, ainda hoje "endeusam" este francês, cujo currículo enquanto futebolista, é tão "magro" quanto o seu cérebro. 



Como se não bastasse, toda a "marginalidade" que emanava da sua figura de futebolista, Cantona, talvez influenciado pelo inqualificável movimento Zeitgeist, resolveu ser o "rosto" de um movimento que apela ao levantamento em massa dos depósitos bancários. 
As consequências, se uma ideia deste género, fosse seguida por milhões de pessoas, seria o colapso imediato da economia mundial. Não só os bancos entrariam em colapso, como os mentores e subscritores, ficariam em mãos, apenas e só com papel. Os "brilhantes" mentores e subscritores deste movimento, ignoram, que sem bancos e sem uma eficaz politica cambial/monetária, o dinheiro nada vale. 

O comportamento criminoso de alguns membros do sector bancário, não pode nunca, justificar, por si só, o fim de um, dos pilares da sociedade. 
Por exemplo, no caso nacional (pese os casos BPN e BPP), não foram os bancos  que conduziram o país à falência. A culpa foi de uma população, que seguindo os passos de uma classe politica miserável, quis dar um passo maior que a perna e acabou por se sobreendividar. O estado do país não se deve aos especuladores, à Fitch, à Moodys, etc. Deve-se sim, a uma classe politica e a um povo que achou que poderia melhorar exponencialmente as suas condições de vida, mantendo no entanto os baixos níveis de produção de riqueza. 

A falência do país explica-se quando temos um sector público, mais atractivo que o sector privado. Quando mesmo endividados, há quem ouse pensar no TGV. Explica-se nas reformas de ouro, nos prémios de gestão em empresas que invariavelmente apresentam prejuizo, no excesso do peso do Estado na economia, mas sobretudo, na falta de um sistema Judicial forte e competente, que acabe com o "fartar da vilanagem", inclusive em alguns bancos!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ajoelhados...

A 1 de Dezembro de 1640, foi restabelecida a independência de Portugal, face ao domínio espanhol. O domínio exercido pela dinastia filipina, tinha então arruinado por completo o nosso país. Não havia classe, que não se sentisse lesada pelo poder exercido pelos Filipes. Do descontentamento à revolta, foi um "pequeno" passo, emergindo dessa revolta D. João IV (Duque de Bragança), iniciando-se assim a dinastia de Bragança que nos havia de governar até 1910.

370 anos depois, podemos olhar para Portugal e fazer um diagnóstico semelhante ao que foi feito pelos nobres portugueses, em 1640. Perdemos por completo a soberania, fruto de uma fraca liderança, que nos colocou à mercê da vontade, quer dos mercados internacionais, quer das instituições internacionais. 


Neste dia 1, abro as páginas da Reuters e da Bloomberg e como já vem sendo um triste hábito, não faltam as referências à dificil situação que Portugal atravessa. Multiplicam-se as opiniões, no sentido de que Portugal, é o próximo país da zona Euro a ter que recorrer à ajuda internacional, depois de Irlanda e Grécia. Os nossos governantes recusam estas comparações. Eu não as recuso. Pese os juros a 10 anos estarem hoje abaixo dos 7%, fruto da compra de divida pública por parte do BCE, nada indica, que os mesmos vão baixar para valores abaixo dos 5% no curto prazo. Significa pois que esta manobra do BCE, visa apenas e só, o adiamento do pedido de ajuda que Portugal terá que fazer, pode-se considerar um presente de Natal, nada mais.
A economia nacional depende do financiamento internacional, mas se esse financiamento se mantiver, com taxas de juro como as actuais, é uma questão de tempo até que entremos em incumprimento, negar esta evidência, como o têm feito, José Sócrates e Teixeira dos Santos, chega a ser criminoso. Portugal, assemelha-se a uma família sobre-endividada, a qual fruto de anos e anos a esbanjar o que tinha e o que não tinha, chegou a uma situação limite. Perdemos a nossa soberania, muito por culpa de Cavaco Silva e dos que se seguiram no cargo de primeiro ministro, que não salvaguardaram os interesses nacionais, face aos interesses das grandes economias da zona Euro. Agora estamos prestes a perder a nossa dignidade, construída ao longo de séculos de história. Estamos de calças na mão, ajoelhados perante os "mercenários" alemães e franceses, que sorrindo pela frente nos fo****m bem por trás.