segunda-feira, 18 de abril de 2011

E se boicotássemos a Nokia?

O populismo gratuito, bacoco e infundado, é e sempre será, uma séria ameaça à humanidade. O século XX, demonstrou a pior face do populismo "inflamado". Graças a ele o planeta viveu os momentos mais negros da sua história. Os grandes manipuladores de massas, encontraram nos tempos de crise, os seus campos férteis, onde cultivaram com total impunidade o ódio ao semelhante, manipulando a seu belo prazer a mente dos mentecaptos que se deixaram envolver pelo desprezível pensar xenófobo e racista. A Alemanha, foi o "exemplo maior", quando na década de 30, democraticamente aceitou caminhar para o abismo. Acontece que em pleno século XXI, a Europa parece querer voltar a reviver os seus mais tenebrosos tempos. 

O fenómeno não se esgota no recente terramoto politico finlandês. Infelizmente é bem mais complexo que isso. Ele estende-se à vizinha Suécia, promete estender-se a França, Itália, Áustria, etc. É pois, um mal enraizado na cultura europeia. Uma cultura secular assente numa certa sobranceria e numa arrogância que sempre nos fez parecer donos da razão, da moral e dos bons costumes civilizacionais, mesmo quando temos no cadastro o Holocausto, duas grandes guerras mundiais, cruzadas bárbaras, fomento de conflitos armados um pouco por todo planeta e uma Igreja que acolhe no seu seio predadores sexuais da pior espécie. 

O crescimento dos partidos de extrema-direita, demonstra a falência moral e económica da velha Europa, que revela enormes dificuldades em lidar com a natural perda de importância no contexto global. Revela o que de pior os europeus continuam a ter: a insuportável sobranceria. Revela igualmente, burrice misturada com mesquinhez e temperada por ignorância no seu estado mais puro, por parte dos eleitores, que absorvem os "ensinamentos" de Tino Soini e dos Le Pen. No caso finlandês, terão esses euro-cépticos alguma vez pensado, que sem o mercado europeu e sem a mão de obra imigrante, o seu nível de vida cairia rapidamente? E se boicotássemos a Nokia, o que seria da Finlândia? Terá Tino Soini referido isso na campanha? Receio bem que não. 

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