Não me canso de repetir, o quão vergonhoso considero, o processo de formação das listas de deputados a submeterem-se ao voto dos cidadãos. Não me refiro sequer às competências dos escolhidos, refiro-me sim, à minha incompreensão pelo facto de encabeçarem as listas, figuras que desconhecem, senão por completo, quase por completo, a realidade do distrito pelo qual concorrem.
Este é um problema crónico, cujas próximas eleições prometem acentuar, ao invés de inverter o processo. Em Braga, por exemplo a encabeçar as listas teremos: António José Seguro (PS), Telmo Correia (CDS) e Miguel Macedo (PSD). Dos três apenas Miguel Macedo tem "legitimidade moral", para concorrer pelo circulo do seu distrito natal. Dos três, apenas um porventura terá conhecimento das especificidades de um dos distritos mais afectados pela crise. Infelizmente, agarrado à disciplina partidária, raras são as intervenções (que se conheçam) de Miguel Macedo que visam uma chamada de atenção para a realidade dificil por que atravessa o distrito que o elegeu.
Este cenário repete-se um pouco por todo o país. Este cenário reflecte a imoralidade em que assenta o nosso sistema eleitoral. A solução: círculos uninominais. Como consequência teríamos deputados sujeitos, não a defender interesses partidários que muitas vezes chocam com os interesses das regiões pelas quais foram eleitos, mas, sim a defender os fundamentais interesses do povo que os elegeu.
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