Antes de mais, não gosto de Paulo Portas, a história recente é clara no que a ele diz respeito (lamentável a sua propensão para os "brinquedos caros"). Contudo o facto é que ele é hoje, o único líder dos principais partidos nacionais que apresenta um discurso claro, incisivo e realista. Extinção de Governos Civis, de institutos públicos, de fundações, combate aos recibos verdes e aumento das pensões mínimas (se bem que neste item a sua passagem pelos governos de Durão e Santana não tenha sido profícua), são e serão as "bandeiras" da campanha de Paulo Portas. Bem a meu ver.
Creio que a minha opinião também é muito influenciada, pela gritante e visível incompetência dos restantes quatro líderes dos partidos com assento parlamentar (os Verdes para mim não contam). Louçã, faz transparecer que está agarrado ao poder num irresponsável e inócuo BE. Jerónimo de Sousa, para lá da simpatia, continua sem perceber que o mundo deixou de ser bipolar. Pedro Passos Coelho, não consegue transmitir competência ou sequer seriedade. Tudo é marketing. Começando pelo tom (treinado) de voz, à escolha da gravata verde, símbolo da esperança, no discurso que se seguiu à demissão de Sócrates, aos disparates já cometidos (suspensão da avaliação de professores), não há uma acção de PPC que não soe a falsidade e a incompetência pura, opinião partilhada pelos membros do PPE (Partido Popular Europeu). Sócrates esse continua agarrado à ilusão de um terceiro mandato. Uma ilusão, que apenas num país como o nosso é oferecida, a um líder que demonstra já não possuir condições para o ser.
Como é revelado pela última sondagem da "Eurosondagem", não se pode excluir uma eventual vitória socialista. A sondagem revela, a pouca propensão dos portugueses pela mudança, ou melhor, a propensão dos portugueses pelo abismo. Mais de 60%, opta pelos partidos do costume (PS e PSD), cerca de 15% opta pelos inócuos partidos de esquerda. É um problema do próprio regime. Um regime que não se soube reformar. Um regime que dividiu os interesses e lugares pelos dois principais partidos. As presidenciais revelaram, através dos votos em Fernando Nobre, que Portugal deve manter a esperança num futuro melhor. Uma esperança que pode ser mais do que isso, pode virar uma certeza, bastando para isso que o "pote" (lugar de primeiro ministro) possa ser disputado por figuras proeminentes da sociedade civil, que sendo independentes e competentes, possam aglutinar a população em torno de um interesse comum, a recuperação do nosso "enorme" Portugal.

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