terça-feira, 26 de abril de 2011

Uma questão de liderança.

Os últimos dias foram ricos em discursos meramente demagógicos, desprovidos de conteúdo e de "alma". Discursos derrotistas e conformistas, que demonstram a falência "cerebral" e ética, de uma classe política há muito dominada por um conjunto de néscios que se banqueteiam a seu belo prazer. Comparar os actuais discursos de Abril, com os discursos que homens como Sá Carneiro faziam há mais de três décadas atrás, é pois um exercício extremamente complexo. 

Para lá dos crónicos problemas do país, sobretudo o ineficiente sistema judicial e a falta de competitividade económica, este país passou a ter nos últimos anos, um crónico problema de liderança. Faltam claramente homens que se façam respeitar independentemente dos seus credos partidários. Faltam figuras como Adelino Amaro da Costa, Álvaro Cunhal, Francisco Sá Carneiro, Mário Soares, Ramalho Eanes, Adriano Moreira, etc. Para lá das diferenças ideológicas, eram figuras que se respeitavam e que se davam ao respeito. O povo podia não concordar com eles, mas "parava" para os ouvir, porque deles emanava seriedade e credibilidade. 

Qualquer que seja o resultado de 5 de Junho, sabemos de antemão, que o país perderá. Perderá, porque nem Sócrates, nem Passos Coelho, são líderes consensuais. Nem um (PPC), muito menos o outro (Sócrates), serão capazes aglutinar o povo em torno de o interesse primordial: o interesse nacional. Não há marketing, que por esta altura, possa maquilhar a mais crua das verdades: a parca consideração e ainda menor respeito, que ambos os candidatos granjeiam por parte da população e que consoante a cor partidária, se consubstancia, em todo tipo de insultos. A estes falta-lhes a "coluna vertebral" que distingue os grandes líderes. Falta-lhes a coluna de um Sá Carneiro ou de um Eanes. Ou simplesmente a coluna vertebral de um... José Mourinho.

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