"Deus compunha música pela pena de Mozart e guiava um Fórmula 1 pelas mãos de Senna."
Ayrton Senna, foi um piloto extraordinário, que marcou a era dourada da competição rainha do desporto automóvel. Os seus feitos, permanecem ainda hoje frescos, na memória dos que tiveram o privilégio de o ver correr. Nenhum outro desportista deixou mais saudades do que ele. A sua condução, extravasava os limites do racional. Senna personificava pois, a perfeição.
"Ayrton Senna: The Movie", como qualquer livro ou artigo sobre a vida do brasileiro, despertou em mim, que sou um confesso fã do Paulista, um enorme interesse. Embora as criticas sejam positivas e apesar de no global eu também pontuar positivamente o documentário, sou obrigado a criticar algum do amadorismo patente no mesmo. Há falhas intoleráveis, para quem com 24 anos, não esquece uma exibição vista com então 7 anos, num ensopado Donington Park em 1993. Excluir do documentário a melhor volta da carreira de Ayrton Senna, é imperdoável. O documentário infelizmente, na minha óptica, centrou-se em demasia na rivalidade com Alain Prost. Raras são as referências aos duelos intensos com o "leão britânico" Nigel Mansell, ou com Nelson Piquet. Para quem não conhece a época dourada da F1, o documentário dá a errada impressão, que a mesma se limitou à luta entre dois pilotos.
Para além disso, creio que este documentário, ignora em demasia o passado de Senna na F3 inglesa, ou mesmo nos Karts. É nas categorias de promoção que se fazem os grandes campeões. Senna, não foi uma obra do acaso, pelo contrário, foi alguém que só chegou onde chegou, porque "trabalhou" para tal. Os duelos travados, com Martin Brundle, na F3 inglesa, que se revelaram fulcrais no crescimento do piloto, foram pois erradamente e estranhamente ignorados.
Em jeito de conclusão eu diria, que para os menos informados acerca de Senna e da própria história da F1, este documentário pode parecer perfeito, dado ser bastante emocionante. No entanto a mim sabe a pouco já que contém algumas incongruências e lapsos que fazem dele uma oportunidade perdida para demonstrar às novas gerações, mais propensas ao DVD que aos livros, o quão árduo é o caminho para o sucesso, já que este nunca é obra do acaso.

0 comentários:
Postar um comentário