De vez em quando a TVI surpreende-me pela positiva. Ontem assisti, a uma reportagem num espaço de informação daquele canal, acerca da solidão vivida no concelho de Odemira, situado na região Alentejana. O exemplo de Odemira, pode ser transposto para outros concelhos do interior, já que o fenómeno da "desertificação do interior" tende a agravar-se no decorrer dos próximos anos, num Portugal excessivamente "centrado" no litoral e em particular na regiões metropolitanas de Lisboa e Porto.
Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes, viram partir as gerações mais jovens, em direcção às oportunidades de que o interior não dispunha e continua a não dispor. Para trás ficaram os pais, os avós e os que se acomodaram a uma vida dura e monótona. Essa gente, ficou à sua mercê. Abandonados e ignorados, não só pelos familiares, para quem viraram fardos, mas também, abandonados por um Estado, governado por irresponsáveis, para quem, o bem estar dessas populações é irrelevante, por não se traduzir num apreciável e importante número de votantes.
Fico um bocado revoltado com a indiferença a que certos filhos votam os seus pais. Quando ontem ouvi o depoimento de um senhor, que amargurado contava que em "15 dias no hospital, nenhum dos 4 filhos o visitou", pensei para comigo, para que raio de direcção caminha a nossa sociedade. Uma sociedade que cada vez mais "renega" as suas raízes e que se envergonha das mesmas. Uma sociedade que ignora a solidariedade inter-geracional. Uma sociedade que carece cada vez mais de humildade, generosidade e bondade. É esta sociedade carente de valores, que depois quer exigir esses valores aos seus governantes? Não merecerá uma sociedade cada vez mais negligente para com os seus, governantes com a coluna vertebral, de Sócrates, Cavaco, etc? Claro que merece.
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