quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O apagão da Democracia.

Em dois meses praticamente nada escrevi na blogoesfera. Nestes meses volvidos, o Mundo, a Europa e o nosso país mudaram. Para pior, muito pior. As democracias europeias degradaram-se a um ritmo assustador. As instituições democráticas, têm neste momento um significado meramente simbólico, atingidas que foram, de morte, pela voracidade e impetuosidade desses outrora desconhecidos, mas agora "indispensáveis" mercados. 

No espaço de pouco mais de uma semana, dois governantes eleitos por sufrágios livres e justos, Berlusconi e Papandreous, foram afastados num simples estalar de dedos. O que Ruby e Noemi, não conseguiram (derrotar Berlusconi), os mercados alcançaram. Papandreous, por seu lado, ousou pensar (e bem) que provavelmente o povo grego teria todo o direito em se pronunciar acerca de um novo pacote de austeridade. Os mercados não concordaram, o eixo Paris-Berlim ameaçou com represálias, Papandreous recuou e a democracia grega "morreu". 

A passividade com que tudo isto foi e é encarado, é assustadora! Os eleitores gregos e italianos foram pura e simplesmente ignorados para a eleição dos seus legítimos representantes e perante a gravidade da situação, ainda se ouvem aplausos em toda a Europa! "Bravo, nem eu conseguiria melhor" certamente era o que diria Salazar!

A gregos e italianos foi-lhes imposta uma solução governativa, que irá hipotecar o futuro de gerações. Uma solução governativa composta por dois ex-membros do Banco Central Europeu (Monti e Papademos), instituição "europeia", cuja actuação ao longo dos últimos meses, para além de deficiente, revelou e revela a dependência da mesma em relação ao eixo Berlim-Paris. 

Resumo pois isto a uma expressão: O apagão consentido da democracia. 

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