terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Inferiores, preguiçosos e piegas.

Vivemos tempos complexos. Tal como num passado que se pensava distante e enterrado, alguns povos Europeus, voltam a procurar dominar e humilhar outros que julgam inferiores. Em apenas um ano, lideranças miseráveis arruinaram um conceito e uma união entre povos surgida das ruínas e do sangue derramado de uma frustrada tentativa de domínio do espaço europeu por parte de um único povo. 

Com o beneplácito de meios de comunicação miseráveis, cada vez mais dependentes do poder económico, procura ser imposta a "lei da inevitabilidade" a esses povos rotulados de inferiores, preguiçosos e piegas. Esses piegas, preguiçosos e inferiores do sul europeu, se de facto foram irresponsáveis endividando-se em demasia, não foram mais, do que aqueles que apresentado-se como exemplares,  enquanto credores originaram e potenciaram essa irresponsabilidade. 

Infelizmente, de há um ano para cá, o foco incide sobre o devedor. O devedor, trata-se acima de tudo de uma classe média, que tendo tido acesso a créditos a taxas de juro artificialmente baixas, procurou melhorar as suas condições de vida, tendo acesso a bens até aí inimagináveis. Se há aqui uma clara irresponsabilidade, até que ponto essa será maior que a de quem sabendo da artificialidade desse poder de compra, lhes concedeu o mesmo? Até quando iremos continuar a exclusivamente apontar o dedo a quem foi "aliciado", ignorando a responsabilidade de quem os "aliciou"?